Hoje o dia estava gris.Os gatos acharam o máximo, enrolados pelos cantos, aconchegados nas almofadas. Embalaram o sono no tamborilar da chuva nos telhados. Para mim o dia também estava perfeito. Amo pintar nos dias de chuva, olhar as gotas que caem preguiçosas deslizando primeiro nas folhas da mangueira. O friozinho do inverno que se aproxima deixa o clima aqui de casa mais gostoso, torna o estar do lado de dentro a opção mais interessante. Amo o frio e todas as atividades que fazem parte desta época do ano, elas me inspiram. A chuva também não deu tréguas. Quando pensava que iria parar, vinha nova chuvarada, incomodando os pedestres que coloriram as calçadas com sombrinhas multicores.
"Chuva de verão" mostra o outro lado da chuva.O lado divertido das chuvas que caiam no verão em minha infância, diferentes das chuvas geladas de inverno. Nela a ordem não era "venham para dentro", mas sim "vamos lá para fora". Como era bom correr na chuva, nada nos intimidava. Também ensinei aos meus filhos como desfrutar dessas chuvas torrenciais que lavam telhados e que alegram a alma. Esse é o tema central desse naif que retrata uma bela tarde de sol quente, 4 horas da tarde. Repentinamente as gordas chuvas de verão despencam sobre a vila. Apressadas as pessoas correm recolher suas roupas que já secas enfeitam os varais.
As crianças indiferentes às roupas que se encharcam , acham que, agora é que a brincadeira começou.
"Chuva de verão"- arte naif- oleo sobre tela de Bernadeth Rocha
terça-feira, 5 de junho de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
De volta à rotina.
Ando preguiçosa, quando a vontade de escrever chega, fico quietinha e espero...
A vontade passa. Também pudera, vivi semanas agitadas, fora de minha rotina.
Quase não vou ao Shopping, então quando é semana de exposição tenho uma semana bem diferente, considero quase uma semana de férias. Restaurante todo dia, cafézinho com pão de queijo. Agora começa a briga com a balança.
Cansa. Tem dias que volto com os pés implorando por um escalda-pés com sal grosso.
Mas vale a pena, pois além de mostrar minha arte, conheço pessoas diferentes .Sou vidrada em analisar personalidades. Sei que aprendo com todas elas , gosto de colecionar histórias.
Depois que passa ficam as lembranças. A agenda, com suas mensagens e nomes, possibilidades de vendas e encomendas eterniza esses dias que se vão tão rapidinho.
Desta vez tive a alegria de expor junto com minha irmã, Tere Oliveira que levou suas poltronas. Móveis em alta costura, máximo em capricho e elegância. Espero que surjam outras oportunidades e que o caminho trilhado por ela seja sempre o caminho do êxito e do sucesso .
Agora estou de volta às tumbérgias, aos gatos e aos passarinhos.
Pena que também estou de volta à correria, ( a pergunta de sempre: Por onde começo? ), a frustração de muitas vezes ver que o sol se pôs antes que eu pudesse ticar todas as exigências.
Pena que muitas vezes eu nem vejo o sol se por...
Para conhecer o trabalho de Tere Oliveira:
www.baudetecido.blogspot.com
www.bernadethrocha.com.br
sábado, 19 de maio de 2012
Naif : arte que encanta
Naif: arte ingênua. Pode-se dizer que o naif brota do inconsciente , sabedoria e sonho se irmanam em obras singelas. Marcadas por imagens do cotidiano, em geral conta histórias por meio da pureza das cores, traços e formas, com uma técnica aparentemente estilizada e rudimentar.
Arte naif não se estuda; se sente.
Não sou uma artista primitiva, mas me apaixonei pelo naif. O que mais me encanta é ser ele puramente emocional. Por meio dele se abole o tempo e reencontramos paraisos perdidos . O naif imortaliza o instante, nos remete à um mundo de alegria e êxtase , como se estivéssemos vendo o mundo pela primeira vez.
"Flutuando em meio ao silêncio da manhã , descobri horizontes longinquos, caminhos singelos, aguas claras refletindo um céu azul encantado, cenas da vida se perdendo na imensidão da paisagem.
A beleza de nossa terra é presente, palpável, mas só os olhos dos ingênuos conseguem vê-los assim.
Isso é o " meu" naif.
Saudade do que foi, alegria de viver o presente em mil cores, expectativa de ver cumprir-se meus mais nobres sonhos.
Meu mundo perfeito!
Um sonho sem fim."
"Chuva de verão" óleo sobre tela- arte naif por Bernadeth Rocha
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Esconderijo do tempo
Flores brancas e frutos- oleo sobre tela Bernadeth Rocha
Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto;
alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.
E olhas, então,
essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti.
Mario Quintana
Palavras doces encantam meus ouvidos...
São como dedos suaves que acariciam, perfume sutil que sentimos numa brisa que sopra...
e passa...
Acordar assim é bom.
Os pássaros estão impossíveis hoje.
Acordaram fazendo algazarra na mangueira.
E o friozinho de outono faz o corpo reagir ( ou não reagir) com preguiça...
Bernadeth Rocha
Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto;
alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.
E olhas, então,
essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti.
Mario Quintana
Palavras doces encantam meus ouvidos...
São como dedos suaves que acariciam, perfume sutil que sentimos numa brisa que sopra...
e passa...
Acordar assim é bom.
Os pássaros estão impossíveis hoje.
Acordaram fazendo algazarra na mangueira.
E o friozinho de outono faz o corpo reagir ( ou não reagir) com preguiça...
Bernadeth Rocha
domingo, 6 de maio de 2012
14 a 20 de Maio.
Domingo? Não acredito!!!!!!!!!!!!
A semana passou. Como se fosse um vento que sopra repentinamente levantando poeira,agitando as folhas das árvores e seguindo viagem. Quando você vê já passou e você se pergunta se foi só sua impressão. Mas foi assim e metade dos projetos ficaram nas páginas da agenda esperando resposta . Indiferente ao meu agito, amanhã é segunda e começa a contagem regressiva. Semana decisiva.Apesar de ser marcada com alguns meses de antecedência a data da exposição chegou rapidamente e o esperado planejamento foi desconsiderado. Só hoje, entre uma brincadeira com o neto(que delicia passar uma tarde assim)e os pratos a serem lavados, comecei a levantar quantos quadros vou levar . Afinal, domingo que vem , à noite estaremos montando a exposição no Sorocaba Shopping.Espero levar dezesseis obras. Tem algumas que estão na primeira etapa, portanto é só terminar. Pretendo começar (e terminar é claro) mais dois e levar alguns de meu acervo pessoal.Estou em grande expectativa porque vou expor junto com minha irmã Tere Oliveira, artista com agulhas e retalhos, que numa altura da vida resolver revirar seu baú de tecidos e começou a colorir poltronas, juntando retalhos a retalhos num patchwork de extremo bom gosto e capricho.O resultado é surpreendente.Sou fã incondicional, fico feliz em ver seu sucesso. Por isso sei que será uma semana com bons resultados,que passaremos juntas e poderemos mostrar nossa arte, fazer bons amigos e também bons negócios, é claro. Faz parte,mas não se vive só de elogios...
Enfim, fica aqui o convite.Estaremos lá , ansiosas pela sua presença.
Poltrona Tropicalia. Não é linda? Mas esta já tem dono.Lá voce verá outras, tão lindas quanto esta.
domingo, 29 de abril de 2012
"Pagina virada"
Hoje é domingo. Um maravilhoso domingo, em que a chuva mansa insistiu em cair lá fora, lavando os telhados e encharcando a terra.
O barulhinho monótono embalou o sono de cães e gatos que se aninharam em tapetes e almofadas, não querendo nada mais do que o conforto de um soninho bom. Só as galinhas que não se importaram, e ficaram pelo quintal ciscando a procura de bichinhos e acerolas maduras que caíram da pequena árvore,arcada de tão carregada de frutos. Eu fiquei por aqui, curtindo esse dia preguiçoso, vendo as mesmas programações de domingo. O que às vezes muda é o placar, hoje foi 3 a 1 do Santos vencendo o São Paulo, Neymar estava impossível. Comecei uma nova tela, "Página virada". Uma cliente me pediu um quadro que mostre a preservação do meio ambiente, visto que a colocará num posto de gasolina e os proprietários estão com uma preocupação com a preservação de um riacho que passa por ali. Contou-me que irão plantar árvores em suas margens, visto que hoje por ali não se vê nenhuma. Imagino que num passado não muito distante,esse mesmo riacho corria tranquilo pela sombra de um arvoredo. Que servia de abrigo aos pássaros e descanso aos viajantes que a pé ou à cavalo chegavam a pequena cidade de Pilar do Sul.
À principio não encontrava o caminho, olhava a tela vazia e ...nada.
Então,imaginei uma paisagem monocromática, uma natureza devastada, seca,à beira de um riacho sem vida ...Essa página sendo virada. E o mesmo recanto, agora verde, cheio de cores e vida, uma pequena cascata , água límpida , transparente.
Está ficando interessante e acho que transmite a mensagem proposta pela cliente. É também a minha mensagem e esperança, que a natureza reencontre seu equilíbrio e que esta maravilhosa Terra torne-se o lar perfeito e eterno do humanidade.
(Agora vou me deitar. É quase meia noite, o barulhinho da chuva continua. Um convite ao sono e aos sonhos de um mundo melhor.)
Oleo sobre tela: Página virada - primeira fase.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Sob a luz das estrelas
Pausa para um descanso...ou ao menos para respirar sem ter que se sentir pressionado, como se uma fila, atrás de você, esperasse a sua vez.
Vi essa cena terrível no curta metragem " A geração que não verá as estrelas."
(procurei no google para ver se encontrava;não encontrei...será que mais alguém lembra de ter visto?)
Fiquei impressionada por muitos dias, temerosa sobre o amanhã.
O curta mostrava um tempo no futuro em que a poluição era tanta que não se via mais as estrelas, o ar denso , uma neblina constante fazendo com que as figuras desfiguradas surgissem repentinamente , famintas, violentas , perdidas.
As pessoas se amontoando em filas, esperando sua vez de entrar numa bolha onde podiam por alguns minutos respirar ar fresco, usando inaladores.Uma briga começa , quando muitos disputam um inalador ao perceberem que um deles está quebrado. O personagem central sai desesperado, e na rua , uma carrocinha recolhe pessoas mortas.
Devo ter visto esse curta num cinema `a uns trinta anos atrás.Foi tão marcante que me lembro dele , e não do filme que fui assistir.
Não chegamos a esse estágio, mas somos bombardeados por notícias de descasos com a natureza, a extinção de animais e plantas, o aquecimento global, a terra louca, que não sabe mais em que estação estamos entrando.
Pior ainda, a extinção, não do ser humano, mas do "ser" humano, quando a vida de crianças, idosos, mulheres, ou, seja, de todo aquele que parece ser mais fraco vai perdendo o valor.
Se você ficasse desacordado, ou fora do planeta, e ao voltar assistisse um noticiario, não teria perdido nada, porque as noticias se repetem, apenas mudam os protagonistas. Que pena que o ser humano se esqueceu o que é "ser" humano.
Mas não podemos generalizar.É lógico que existe aqueles, como eu e você, que não deixou se contaminar por este mundo louco e condenado, que ainda se emociona diante da beleza, que respira fundo ao assistir um por do sol, que se cala quando ouve uma pássaro, ou uma melodia...
Que sorri ao tocar os dedinhos das mãos de um bebê, que medita quando lê a Biblia, que valoriza o próximo nas suas carencias e aflições..
Que dança quando está feliz, e ri mesmo quando as coisas não vão tão bem como você gostaria...
Que mesmo quando está cansado, e muito ocupado, acha que vale a pena, antes de dormir sair lá fora, ou ao menos abrir a janela e procurar o brilho de uma estrela.
O curta estava errado, serviu para alertar uma geração, mas o homem não está no comando.
As estrelas continuarão a brilhar nos céus , e sempre haverá na terra olhos admirados e reverentes contando as estrelas.
"Sob a luz das estrelas"- oleo sobre tela de Bernadeth Rocha
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