quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Céu azul e mar.


Estamos saindo com destino ao litoral, merecido descanso. Aquela expectativa no ar: como estará o tempo?; e o humor do pessoal?;será que vou ter ataque de labirintite ou enxaqueca?( sou uma pessoa muito regrada, se durmo fora da rotina, já era) ; será que o mar estará azul?; enfim...
Pouco importa, trago na lembrança viagens com chuva e com sol, com enxaqueca e com labirintite, com mar azul e com águas escuras, com muita farra e bom humor e terríveis viajens que com o tempo se tornaram apenas histórias divertidas pra se contar. Pouco importa, o que importa é o acordar despreocupado, as longas conversas com os amigos , a cervejinha gelada, o peixinho frito olhando o horizonte azul a se confundir com o céu, um bom livro pra se ler sem pressa...
Hora marcada: sete horas pra saída, já é 8 e 20 e nada...
Viagem boa se começa assim!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Enfim o verão!






Quando criança, ficava endoidecida quando chegava o verão. demorava a crer que agora não mais teríamos que ficar dentro de casa, sentados perto do fogão à lenha ,tentando inventar brincadeiras longe do grande quintal. Os invernos eram longos, verdadeiramente frios , não como agora em que a natureza confusa nem sabe mais em que estação nos encontramos. Junto com o verão chegava a liberdade , brincadeiras cheias de criatividade que se esticavam pela noite adentro , quando com o rosto afogueado diante das ameaças de D. Maria, corríamos para dentro , tomar um banho de bacia antes de cair na cama . Como era bom explorar os morros da pequenina Pilar do Sul onde nasci;cidadezinha que na época era a "princezinha da zona sul" , hoje conhecida como "nascente das águas".
Até hoje sou fascinada pelo verão. Pudesse viveria novamente aquela incrível sensação de liberdade que chegava com os dias quentes; gordas nuvens brancas penduradas na abóboda do céu incrívelmente azul.
E assim se arrastava o verão, parecia que nunca mais o inverno chegaria.
Hoje nossas "brincadeiras" são outras, mas dentro do possível, que cada um de nós saiba viver um delicioso verão.

Quadro: "Meu Mundo Perfeito- a casa em que nasci"
de Bernadeth Rocha


domingo, 13 de dezembro de 2009

Flamboyants na primavera



Sempre aguardo o mês de novembro com uma certa expectativa...
-Será que este ano eles estarão em plena florescência?
E saio à caça dos flamboyants! Infelizmente constatei que este ano, por algum motivo (às vezes é a falta da chuva, às vezes excesso, não entendo muito disso ) eles não estão com toda a beleza que é peculiar á espécie.
Sempre houve flamboyants em minha vida, curiosidade despertada pela música do Roberto Carlos: " ...meu flamboyant na primavera, que bonito que ele era dando sombra no quintal..."
- Flamboyant? Que que é isso?
Foi quando os conheci e eles passaram a ser minha árvore predileta.Lembro-me em especial de uma árvore de flores laranja, que até hoje deve estar imponente no pátio da escola Barcelona em Sorocaba. Todo ano ela carregava espetacularmente, árvore imensa de galhos longos que pareciam abraçar o telhado da Escola, contrastando com o infinito céu azul. Gostava de subir quarteirão acima para poder observar sua copa do alto. Considerava-a um presente de Deus para mim, só para mim, pois sentia que só eu a via naquele momento.
Outro momento inesquecível em elas estiveram presentes, foi em 92. Um certo domingo, resolvemos levar os filhos para um passeio na estrada que liga Itú à Cabreuva, estrada cheia de curvas que margeia o pobre Rio Tietê, espumando por causa da poluição. (as crianças acharam lindo os blocos de espuma mal cheirosa que rolavam na correnteza e às vezes o vento levantava no ar). De repente, todas gritaram que tinham visto um outdoor: "Fazenda da Serra. Chocolates" Voltamos e conhecemos a bela fazenda de mais de 250 anos que se tornara ponto turístico. Enquanto eu e meu marido ficamos sentados à sombra de grandes flamboyants floridos( creio que lá se encontram umas dez árvores) as flores vermelhas pontilhando o verde do gramado, as crianças se divertiram com os pequenos animais da fazenda, comeram doces e correram até se cansar. Também não me esqueço que foi quando pude ver de perto uma roda d'água . Já havia pintado algumas mas nunca as tinha visto uma de verdade. Foi um domingo maravilhoso e inesquecível e que ficou guardado na memória de meus filhos. De vez em quando voltamos lá. Inclusive pintei ao vivo o lindo casarão que fez parte de minha exposição "Casas, Casarões e seus quintais" no ano 2000.
Porém , hoje, na minha caminhada matinal, fui ver os flamboyants que conheci quando vim morar aqui. Encontrei-os mutilados, desfigurados pelo machado. Embora ainda haja muito verde em volta deles, estão aprisionados ao longo de uma avenida movimentada. Apenas um deles, num esforço final , gemeu algumas flores, como uma lembrança dolorida de outras primaveras. Parecem ser apenas um lamento, um protesto pela triste situação que se encontram.
Ainda vou espalhar sementes por aí, quero dar minha contribuição e cumprir meu papel como protetor da terra, visto ser este o papel fundamental do ser humano.
"-Por que a terra não é assim tão florida?"
"-Por que os homens se esqueceram de lançar as sementes."
Que triste realidade!

Bernadeth Rocha

Quadro: Fazenda da Serra de Bernadeth Rocha, quadro que fez parte da exposição "Casa, Casarões e seus Quintais"

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Como preparar o azul.




Pegue um recipiente. Pode ter a largura de um lago, ou a profundidade de um oceano ou o formato de um simples regato. Pode ser preparado com o frio do inverno ou o calor do verão. Coloque dentro um tanto da luz intensa do meio dia misturada com um pouco do brilho das estrelas. Acrescente algumas pitadas do vermelho alaranjado que sobrou do amanhecer, misture bem e aromatize com o aroma das laranjeiras em flor. Vai bem um pouco do canto dos pássaros que saudaram este dia. Bata bem, com o vigor das marés e a força das ondas na arrebentação.
Se quiser, coloque um punhado generoso da areia, pode ser branca, das praias ou dourada ,dos desertos. Não esqueça da brisa que sopra entre as palmeiras e refresca o dia.
Misture, derramando aos poucos a tranqüilidade da manhã, a indolência da tarde e a melancolia do entardecer. Depois de tudo bem ligado, mergulhe no horizonte e deixe a descansar. Tenha só um pouco de paciência.
A receita precisa dos suspiros e juras de amor dos românticos na madrugada. Aí é só esperar. Ao amanhecer, quando o sol desligar a noite, você poderá degustar com os olhos, cada pedacinho desse imenso céu azul.

Bernadeth Rocha
Quadro: " Bem vindo aos meus sonhos." de Bernadeth Rocha

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Chuva de verão




(detalhe)
Chuva de verão

(detalhe)



Exposição no Shopping. Muitas vezes as horas passam rápidas, assim como as pessoas que apressadas parecem não ter tempo para nada. Imagine então para apreciar arte...Só faltam tropeçar nos painéis expositores.
Mas , outras ( talvez uma em cem! ) vêem e param... muitas conversas interessantes ; pessoas adoráveis que talvez jamais as conheceria se não fosse estar ali, naquele lugar e naquele dia.
Outros momentos porém, o shopping fica relativamente calmo. Aí leio um livro ( estava lendo Os Miseráveis de Victor Hugo ) ou coloco a agenda em dia, rabisco poemas, idealizo as próximas exposições...faço uma coisa qualquer para ocupar o tempo.
Numa das últimas páginas da agenda de contatos , passei a esboçar dois novos naifs.
Um , de uma praia: as ondas ao fundo (azul cerúleo, azul ultramar) , muitos surfistas em pranchas coloridas...na praia uma sequência de coqueiros, crianças brincando, gente tomando sol em toalhas coloridas. No primeiro plano as casas com duchas do lado de fora , redes armadas, no caminho que leva a praia vendedores ambulantes , pessoas que vêm e que vão...
O outro, uma chuva de verão. Uma vila, dessas em que as casas não precisam de cercas ou muros que as separem, crianças brincando de taco ( no meu tempo chamávamos de bete )
Cai a chuva de verão, daquelas inesperadas, que chegam sem muito anúncio, e em cada casa alguém sai correndo para tirar a roupas do varal que esta quase seca...
As crianças continuam brincando...é delicioso tomar uma bela chuva de verão...
Esse saiu primeiro. Trabalho demorado, que foi feito sem pressa, curtindo cada detalhe que ia tomando forma...
Por que é assim que nasce um naif... gestação prolongada, parto fácil e feliz...
Pra mim é como um filho que nasce e em todos eles eu digo:
"_ Este é o meu preferido, se eu pudesse ficava com ele pra mim..."

Bernadeth Rocha

Quadro: "Chuva de verão"
oleo sobre tela - naif- 60x80